Como água para Chocolate



O filme Como Água para Chocolate baseado em um livro de Contos de fadas de Laura Esquivel, (então mulher do diretor Alfonso Arau), repleto de fantasia, onde amor e ódio, abnegação e egoísmo, poesia e praticidade, se compõem numa obra-prima que conquistou o prêmio de melhor filme no Festival de Gramado de 1993.
No início do século XX, numa fazenda mexicana, na fronteira com o Texas, Tita a quem foi negado o direito de se casar, por ser a filha mais nova, e ter que permanecer ao lado da mãe Elena, para cuidar dela, vive um amor ardente de paixão, contida, apesar de correspondida, por Pedro, o qual acaba aceitando casar-se com sua irmã Rosaura, apenas para permanecer perto da mulher que ama.
Tita, que crescera nos braços de Nacha, cozinheira da fazenda, envolta nos aromas mágicos da cozinha, e orientada pela sabedoria desta, desenvolve o dom como ninguém, transpondo para os alimentos todas as suas emoções, e destes, pra os comensais.

É o que acontece quando, sem querer, derrama lágrimas sobre a massa do bolo de casamento de Rosaura com Pedro, e causa em todos que o experimentam, além de uma extrema comoção, uma incontrolável ânsia de vomito. Já para as codornas com molho de pétalas de rosa (as quais lhe haviam sido oferecidas por Pedro), Tita transfere toda a sensualidade, no despertar da recordação do grande amor de cada um que se delicia com este prato, que potencializa e exaltação deste sentimento, e faz desabrochar toda a libido. É neste momento que, Gertrudis, contagiada pelo sentimento impregnado no molho, e exalando em toda a sua plenitude o odor das rosas, atrai para si o capitão revolucionário, e foge com ele, para profundo desgosto da mãe, e conquista da sua própria liberdade.

Milagre em Santa Anna


Fazendo-me valer do aspecto contextual trabalhado no filme “Milagre em Santa Anna”, de 2009, dirigido por Spike Lee, a saber, a II guerra mundial, trato aqui de redirecionar a discussão a um pólo intrigante, talvez despercebido pelos olhares previamente condicionados dos espectadores a se deterem propriamente a intensidade e realidade dos efeitos visuais e sonoros ou o triunfo do mocinho ao término da trama, como manda o script da demanda refuncionalizada nas relações com a indústria cultural. Ou seja, dentro de um universo que retrata o assassinato misterioso, a valiosa peça de arte desaparecida ou mesmo o questionamento que engendra a preocupação central da maioria atenta: “Qual o milagre?” limito-me a observar e refletir, seguindo o viés escolhido por James McBride, no roteiro que se baseia em seu livro, sobre o preconceito referente à cor da pele dentro das próprias bases americanas no período da II guerra mundial, que hierarquizava os homens sem ao menos fazer-se preciso qualquer distinção de patente.
O filme “Milagre em Santa Anna” é responsável por suscitar inúmeras sensações, dentre estas a mais frequente é o estado de mistério que o espectador se insere. Primeiro, pelo crime cometido por um funcionário dos correios (Hector Negron) prestes a aposentadoria; depois, por este mesmo funcionário guardar, em seu apartamento, uma peça com mais de 450 anos de existência, originária de Florença, na Itália, sumida desde os ataques nazistas na região, em 1944; e, por fim, pelo garoto, Angelo Torancelli, originário da região de Santa Anna di Stazzema, na Itália, resgatado por quatro integrantes da base americana “Buffalo Soldier”.