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'É 2014, P*%#@, cadê o respeito?' ou uma reflexão sobre o documentário 'O Riso dos Outros'



Situação número 1: No início deste mês, o Digão, da banda Raimundos, interrompeu o show na cidade de Jaraguá do Sul, para dar uma baita lição de moral em uns indivíduos. Em uma atitude truculenta, essas criaturas não identificadas tentaram expulsar um casal de rapazes que se beijava durante a apresentação.  O vocalista da banda não só disparou um: 'É 2014, porra! Cadê o respeito?", como também chamou o casal para repetir o beijo lá mesmo, no palco, sob aplausos da multidão.
Pipocaram notícias sobre a atitude louvável de Digão, e aí surgiram artigos sobre a ação-preconceituosa-em-pleno-século-21 e finalmente explicações sobre como coibir esse tipo de violência e, claro, ironias aqui e acolá sobre garotinhos espertinhos que sobraram naquele espaço de muito rock'n'roll, palavreado de baixo calão, e... respeito.

O Lobo de Wall Street e aquele apreço incontido pelos politicamente incorretos


A você, pessoa de bom coração, que bota fé no desenvolvimento espiritual autogerado da humanidade. A você, que acredita na ética, na educação do caminho reto, na justiça que não, não falha, ainda que tarde. A você que repete desavisadamente aquela máxima reaça de que 'bandido bom é bandido morto'. Enfim, a você, pessoa certinha, que adora aqueles filmes (ou os slides no power point) que deixam uma boa e costumeira lição de moral, deixo-lhes um recado e um alerta: esta postagem pode ser encarada como um desserviço.  

Existem filmes que nos testam, que colocam em xeque até o mais bem resolvido integrante do lado *mocinho* da história. São longas desprovidos de hipocrisias moralistas, que trazem críticas a trator em forma de diálogos brilhantes e sem delongas, e que... bom, te fazem encarar um certo sentimento indesejado. Eis que, de repente, você *não quer* ver o bandido morto. Você sequer quer vê-lo preso ou se dando mal. Por você, aliás, é bom que a polícia nunca consiga capturá-lo e que os quase invisíveis prejudicados por suas sacanagens se lasquem busquem paz interior em outros territórios.